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Panorama energético atual e perspectivas futuras

postado segunda-feira, 3 de novembro de 2008 13:01 por debora
A demanda projetada de energia no mundo aumentará 1,7% ao ano, de 2000 a 2030,
quando alcançará 15,3 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo por ano,
de acordo com o cenário base traçado pelo Instituto Internacional de Economia.
Sem alteração da matriz energética mundial, os combustíveis fósseis responderiam
por 90% do aumento projetado na demanda mundial, até 2030. Entretanto, o esgotamento
progressivo das reservas mundiais de petróleo é uma realidade cada vez menos contestada.
A Bristish Petroleum, em seu estudo “Revisão Estatística de Energia Mundial de 2004”,
afirma que atualmente as reservas mundiais de petróleo durariam em torno de 41 anos, as de
gás natural, 67 anos, e as reservas brasileiras de petróleo, 18 anos.  A matriz energética
mundial tem participação total de 80% de fontes de carbono fóssil, sendo 36% de petróleo,
23% de carvão e 21% de gás natural. O Brasil se destaca entre as economias industrializadas
pela elevada participação das fontes renováveis em sua matriz energética. Isso se explica
por alguns privilégios da natureza, como uma bacia hidrográfica contando com vários rios
de planalto, fundamental a produção de eletricidade (14%), e o fato de ser o maior país
tropical do mundo, um diferencial positivo para a produção de energia de biomassa (23%).
...
Como a maioria dos cenários traçados para o preço internacional do petróleo prevê a
continuidade da escalada de preços, consolida-se o programa do etanol combustível
e ficam criadas as condições para alavancar o programa de biodiesel. Entende-se que
as condições comerciais estão delineadas, em forma estrutural, para a viabilização da
agroenergia enquanto componente de alta densidade do agronegócio. As pressões de
cunho social (emprego, renda, fluxos migratórios) e ambiental (mudanças climáticas, poluição)
apenas reforçam e consolidam essa postura, além de antecipar cronogramas. Nesse particular,
o mundo está cada vez mais temeroso dos impactos negativos dos combustíveis fósseis sobre o
clima. Consolidando de forma reducionista a percepção de autoridades e cientistas,
verifica-se que os extremos climáticos (secas, cheias, furacões, etc.) tornaram-se mais
freqüentes e mais severos. Assad et al. (2004) apresentaram modelos matemáticos,
que projetam alterações profundas na temperatura do planeta e desastrosas conseqüências
para o agronegócio. As alterações do clima acarretam modificações na incidência de pragas
agrícolas, com sérias conseqüências econômicas, sociais e ambientais. O cenário
fitossanitário atual seria significativamente alterado, expondo a vulnerabilidade da agropecuária
a essas mudanças e a necessidade de desenvolver estratégias adaptativas de longo prazo.
Embora não exista um estudo definitivo comparando a geração de emprego e renda e sua
distribuição, cotejando as cadeias de energia de carbono fóssil e de bioenergia, a experiência
brasileira e o senso comum indicam que é possível gerar 10-20 vezes mais empregos
na agricultura de energia, comparativamente à cadeia de petróleo – com a vantagem de que
os empregos seriam gerados internamente, auxiliando na solução de um dos mais sérios
desafios brasileiros. A produção agrícola desconcentra renda mais intensamente que a
extração de petróleo ou gás, podendo tornar o Brasil um paradigma mundial de como
enfrentar três grandes desafios do século XXI, com uma única política pública: através
do incentivo à agricultura de energia, é possível enfrentar os desafios da produção de
energia sustentável, da proteção ambiental e da geração de emprego e renda, com distribuição
mais eqüitativa. Além da temática ambiental, a questão sanitária também possui interface
com a temática da agroenergia. O desenvolvimento de tecnologias para o tratamento e
utilização dos resíduos é o grande desafio para as regiões com alta concentração de suínos
e aves. De um lado, existe a pressão pelo aumento do número de animais em pequenas áreas de
produção, e pelo aumento da produtividade e, do outro, que esse aumento não provoque a
destruição do meio ambiente e esteja de acordo com o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).

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